Opinião

Alvorada - Dias sem dança

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00A cultura vive dias difíceis.
Qualquer evento organizado, seja para transmitir online, seja para o público assistir ao vivo, de acordo com as normas impostas pela Direção Geral de Saúde, é precioso para os agentes culturais.
Hoje dia 29 de abril comemora-se o Dia Mundial da Dança.
Em São João da Madeira existe um agrupamento escolar com ensino articulado de dança, há uma associação que tem classes de dança, o ensino privado especializado é uma realidade, com jovens a obter diplomas e inclusivamente uma dessas escolas ocupa um espaço público, para ministrar as suas aulas.
Se há crianças e jovens que gostam de dançar, se existem profissionais que gostam de ensinar, se se voluntariam dirigentes associativos para permitir que haja aulas nas instalações que usufruem, seria importante que o Dia Mundial da Dança fosse comemorado no concelho.
Seria o reconhecimento do esforço de todos e da vontade em exercitar-se das crianças e jovens, ao executar e conceber coreografias, transmitindo uma alegria contagiante para pais e demais familiares que acompanham, interessam-se e enquanto foi permitido, assistiam ao vivo aos espetáculos, ou atuações, repletas de dinâmica corporal, com figurinos de cores variadas e música a condizer.
É reconhecido o melhoramento transmitido à programação cultural pelo atual executivo municipal, assim como, à organização de eventos, herdados, imprimindo-lhes maior carisma, no entanto, quando nestas duas últimas semanas, o dia do livro foi ignorado e a dança ignorada foi, num período em que qualquer referência, qualquer menção, permite despertar interesse, evidencia a existência dos agentes culturais, que estão com vontade de se exibir e que se convidados conseguem organizar-se para demonstrar essa vitalidade, nada fazer é desrespeitar as mais diversas artes, as mais variadas formas de expressão artística.
Não se trata de emendar o calendário, ou de apenas colar datas festivas para lembrar que as artes existem. Espera-se que nesses dias seja apresentado o corolário de um fomento artístico, tal como no Dia da Poesia, ou o do Teatro, envolvendo a maioria da comunidade e não um determinado nicho. Uma sucessão de manifestações artísticas, com a participação da população, dos vários grupos informais, das escolas, das associações existentes, ocupando sucessivamente as valências municipais, desenvolvimento socialmente os participantes e com isto, motivar os jovens a encaminhar-se, sem complexos, pelo estudo das mais diversas artes.
São João da Madeira possui ótimas instalações culturais.
É reconhecido o potencial de acolhimento da Casa da Criatividade. O anfiteatro dos Paços da Cultura, apesar de mais pequeno, é extremamente confortável. Os antigos pavilhões da Oliva, reconvertidos, recebem espetáculos e são locais de exposição, acolhendo duas prestigiadas coleções de arte, permitindo com base no acervo disponível, fazer os mais variados estudos.
O património industrial, bem tangível da diversidade industrial, foi promovido a dois museus.
Além do ensino articulado de dança, existe igualmente ensino de música, em parceria com a Academia de Música de São João da Madeira. Podendo os interessados prosseguir aqui os seus estudos, para os graus seguintes. Sem restrições de idade e de grau de ensino escolar, o Centro de Arte proporciona cursos nas mais variadas temáticas.
Apesar de tudo isto, é necessário insistir no fomento cultural. Idealizar e promover um programa que permitirá captar talentos para as diferentes áreas, mas não gorando a possibilidade de alargar o número de jovens envolvidos no ensino artístico. Só abrindo o leque de oferta de cursos do Secundário, ou quer através das demais ofertas do ensino profissional, é que será possível alcançar uma plataforma confortável de agentes culturais. A integração desses jovens e respetivos professores na comunidade, ajudará a criar entre outras particularidades, novas associações de índole cultural, de que a cidade continua carenciada.
O modelo cultural que existe é redutor: brota no início da primavera, cheio de esplendor e com o passar dos dias, perde a sua pujança, remetendo-se para a apresentação de eventos. Para ser perene, é urgente incrementar o fomento de mais expressões artísticas, não esquecendo que alargando o ensino dos jovens, mais possibilidade existe de vigorar o seu desenvolvimento social, proporcionando à comunidade, com a possibilidade de se envolver em associações culturais, um maior sentido crítico e assim, tornar-se apreciadora das variadas propostas de arte programadas.

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