Sociedade

Laetitia Silva: montanha russa de emoções entre arte e saúde mental

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Ultrapassando os anos que perdeu a duvidar de si própria e tentando escapar à realidade de ser artista que tanto ambicionava, os sonhos de Laetitia Silva não se esquecem e a vontade de os perseguir torna-se dominante.

Laetitia Silva, de 31 anos, é tatuadora há quase cinco. Confessa que demorou a chegar até ao patamar em que se encontra, com muitos altos e baixos pelo caminho, mas que jamais deixou de acreditar em si, persistindo no seu traço de independência e de lutadora.
Admite que sofre de ansiedade e ataques de pânico há cerca de 10 anos, sublinhando que essas condições são propícias para a fazer retroceder e perder a fé. Não havendo soluções fáceis para enfrentar este problema, Laetitia assegura que o “melhor conselho” que pode dar é “rodearmo-nos de pessoas que nos fazem bem”. “Não estamos sozinhos e mesmo com alguns contratempos, que sempre existirão, não devemos desistir. Tentar é lutar e lutar é acreditar, sabendo que nunca é tarde para mudarmos de trajetória, se é a que nos faz feliz. Sê a tua própria inspiração”, sublinha.
Tendo passado por várias cidades do país, como Braga ou Porto, começou por encaminhar a sua vida profissional para a venda ao público. Na ilha da Madeira, trabalhou como cantora principal no casino do Funchal. Voltou a Esmoriz, para se encontrar e perseguir os seus sonhos: desenhar, criar, tatuar e fazer sorrir. Agora que está localizada em São João da Madeira, a criadora admite que “todas essas ‘voltas’” fizeram de si o que é hoje. “Passaram várias pessoas pelo meu caminho, que me deram força para me levantar e não desistir do que realmente queria”.
Esses anos tornaram-se um escape para fugir à ansiedade de se encontrar e entender realmente o que estaria destinada a fazer e perseguir como sua paixão. “Neste momento, estou onde estou e sinto-me muito grata pelo caminho que percorri”, considera.
A criatividade sempre fez parte da sua vida. Aos sete anos, Laetitia já adorava o mundo da arte e principalmente das tatuagens e do desenho, mas afirma que nunca pensou tornar-se tatuadora. “Concretizei um sonho. Continuo a adorar uma das artes que me dá tanto gosto e, aí, junta-se o útil ao agradável. Ao tatuar pessoas, faço-as sorrir e até mesmo chorar de alegria, isso sensibiliza-me e muito! Faz-me acreditar que estou no caminho certo”.

Sketchys e estúdio de tatuagens

Neste caminho que já percorreu como artista, Laetitia criou vários projetos. Um deles teve origem no primeiro confinamento, iniciado em março de 2020, quando criou os ‘Sketchys’, ilustrações digitais “feitas com amor, realizadas para criar memórias”. Esta foi uma ideia que elaborou e deu vida para combater algo que classifica como “um dos meus piores momentos como artista.” O projeto, que no mês passado completou um ano, regista um sucesso cada vez maior, continuando a eternizar momentos e memórias.
“Não há melhor sensação que escolherem os meus desenhos para oferecer ou fazerem alguém sorrir, tornando o dia dessa pessoa mais feliz. Com os ‘Sketchys’ ganhei mais inspiração e motivação, fazendo-me acreditar que realmente tenho algum valor. Infelizmente, toda a gente em algum momento da sua vida dúvida de si”, assinala a criadora.
No fim do primeiro confinamento, no dia 1 de junho, Laetitia abriu o seu próprio estúdio em parceria com o seu atual namorado, João Almeida. O momento foi, para a tatuadora, uma das maiores conquistas, de tal forma que nos confidencia que, a partir dessa etapa, as surpresas e os acontecimentos gratificantes na sua vida não têm tido fim.
Um deles foi participar no programa de televisão “A Nossa Tarde” da RTP, com a apresentadora Tânia Ribas de Oliveira, para dar a conhecer o seu projeto ‘Sketchys’. Mas esta nova fase da vida também tem permitido a Laetitia Silva conhecer outras pessoas e criar amizades através da sua arte. O reconhecimento, sublinha, “faz-nos acreditar que somos abençoados”. “Tenho recebido apoio incondicional dos meus pais e amigos. A simpatia da remodelação do estúdio oferecida por um casal amigo, pessoas que aparecem no estúdio e mensagens que recebo de força e carinho tornam-se contagiantes”, conclui a jovem criadora.

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