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“No final da época vou deixar de ser o responsável da secção de hóquei em patins”

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No final da época Pedro Ribeiro, presidente da secção de hóquei em patins da Associação Desportiva Sanjoanense, deixará a liderança. Na origem da decisão estão razões profissionais e cansaço pessoal. Deixa o clube na 1ª divisão e as contas saldadas.

“Não estou disponível para continuar”, afirmou Pedro Ribeiro, presidente da secção de hóquei em patins da AD Sanjoanense, na semana em que a equipa sénior assegurou a manutenção na 1ª divisão. O timoneiro do clube, há já sete anos, alegou razões profissionais e o cansaço pessoal, a juntar ao facto do mandato da direção terminar no final da época. “Vou deixar de ser o responsável da secção, numa época que tem sido muito desgastante”, admitiu. “Tivemos uma quebra de receitas na ordem dos 60%”. O dirigente, diz ser muito difícil gerir, perante um planeamento que foi feito no início da época, a contar com a bilheteira e mais patrocínios. “Era inimaginável chegar a esta altura da época com a maior parte dos negócios fechados, e obviamente que as empresas e o comércio retraíram-se a nível de publicidade. Isto refletiu-se, tornando-se num final de época penoso”, garantiu.

O timoneiro da secção alertou ainda para o facto de que “alguém vai ter que se chegar à frente, como já acontecia nos outros anos, sempre que havia uma diferença. Só que, este ano, o fardo está um bocado pesado”, no entanto deixou a garantia de que vai “cumprir com jogadores, equipa técnica e fornecedores”. “Isso é ponto assente”, vincou. Por isso, assegurou que “a próxima direção não vai ficar com rigorosamente nada para trás, começando do zero, e com a vantagem de arrancar com a equipa na 1ª divisão e o clube minimamente estruturado a nível da secção, o que é uma grande vantagem”.

Esta, era uma decisão que, segundo admitiu, já estava pensada há bastante tempo, e foi transmitida ao presidente da direção e da assembleia geral em janeiro. Inclusive, Pedro Ribeiro colocou a hipótese de nem começar a nova época, tendo reconsiderado essa posição depois da interrupção da época anterior em março de 2020. “Em vez de pensar com a cabeça, pensei com o coração. Arranquei esta época com a previsão de que esta situação pandémica já estava minimamente resolvida, mas estamos em abril e não se vê fim à vista”. Mas, considera que o pior é mesmo “a incerteza que nos espera daqui para a frente”.

“As eleições do clube já deviam estar em andamento para evitar a dificuldade da preparação da nova época”

Com esta época praticamente resolvida, há vários clubes a preparar a próxima, mas admite que a Sanjoanense não tem disponibilidade financeira para o fazer. Para ultrapassar esta indefinição considerou que as eleições do clube já deveriam “estar em andamento”, impedindo que se entre num período de incerteza quanto à preparação dos plantéis. “Eu chamei a atenção ao presidente da Assembleia Geral para esta situação”, considerando que o clube deveria estar mais organizado. Nesta matéria “somos muito amadores”.

Com o anúncio da sua saída a intenção é que apareça alguém, o mais rápido possível, pois considerou que a secção está muito dependente de si.”As contas aparecem pagas”. Só que acha que chegou a hora de colocar um ponto final. Mesmo assim, Pedro Ribeiro assegurou que não vai desligar-se a 100%. “Eu não vou ficar à frente da secção, mas se precisarem de alguma ajuda eu vou estar cá. Não vou passar do oito para o oitenta. Mas, para tudo há um princípio, um meio e um fim”. E, recordou que o mais difícil já foi feito, que foi “deixar as contas em dia e manter o clube na 1ª divisão”.

Mas, o ainda presidente da secção, lembrou que para ser dirigente “não é só em dias de jogo dos seniores”. Garante que são sete dias por semana, em que “é preciso ir às fábricas e ao comércio pedir, e para organizar o clube para que nada falhe”. E foi mais longe, admitindo que já deveria ser uma equipa semiprofissional. “Nós ainda somos muito amadores, comparativamente com outros clubes da nossa dimensão, ou mesmo inferiores, que têm outras estruturas que nós não temos”, admitiu.

“Quem levou o pedido de apoio para as competições europeias à reunião de Câmara foi a oposição”

Outro dos aspetos que se queixou foi a falta de apoio das empresas de S. João da Madeira e da autarquia. “Infelizmente, 50% dos patrocínios são de fora do concelho”. Já em relação à autarquia, “não existe para o desporto de competição e está apenas vocacionada para o desporto de formação. Por isso, o futsal do Dínamo já desceu e o andebol está na linha de água. Não há condições para ter uma equipa na 1ª divisão, e por muito que me custe dizer é esta a realidade”, lamentou. E, sem citar nomes, deu o exemplo de uma autarquia vizinha, em que o apoio às equipas da 1ª divisão ronda os 80 mil euros, que diz ser quase o orçamento do clube. “Eu já nem pedia tanto”, frisou.

Sobre a não participação nas competições europeias assumiu ter abdicado em janeiro. “O que nos cabia era um investimento de 20% mas, mesmo assim, era incomportável. Eu tive de começar a cortar em todas as despesas para conseguirmos chegar ao fim”. Admitiu que seria um prazer participar, embora ache que a competição esteja desvirtuada, pelo facto de só irem competir seis ou sete equipas. “Não podemos dar um passo maior do que a perna, porque senão o trambolhão é maior”. Em relação à verba que a autarquia iria apoiar, Pedro Ribeiro recordou que foi um assunto que foi à reunião de Câmara, mas “quem o levou foi a oposição”. Tudo começou quando a direção decidiu não participar, “porque não tínhamos possibilidades financeiras”. Entretanto, a oposição “contactou-me para saber o que é que era preciso e avançou com a situação”. O presidente da secção de hóquei em patins diz acreditar que a Câmara tem os seus problemas, tendo em consideração o momento atual que atravessamos, “mas houve muitos eventos que não se realizaram e pouparam algum dinheiro. E, lamentou que o desporto de competição em S. João da Madeira esteja “a passar ao lado dos responsáveis da autarquia”. Apesar disso, admite que o clube “estagnou”.

Pedro Ribeiro recordou que, além das dificuldades em cumprir o orçamento, “tivemos de fazer melhoramentos no piso do pavilhão, na iluminação, e fizemos um ginásio, entre outras coisas”. Mas diz que há mais coisas que são preciso fazer. “O pavilhão está a ficar obsoleto,” precisando de uma intervenção, dando como exemplo o sistema de aquecimento da água.

Nesta fase, que é também de balanço dos sete anos em que esteve à frente dos destinos da secção, Pedro Ribeiro não esqueceu a equipa feminina, que diz ter “muita tradição no clube”, bem como a equipa B, que foi criada a pensar na formação de jogadores que pudessem alimentar a equipa principal. “Não temos poder financeiro para andar a contratar jogadores de nomeada. Se temos alguns, é porque são emprestados e nós pagamos um valor irrisório. Se não fosse assim não tínhamos hipótese de os manter”.

“Quem vier que traga uma lufada de ar fresco”

A decisão está tomada e o desejo é de que apareça alguém, “com ideias e projetos novos'', apelou'. “Não digo que com mais ambição, porque tem de ser sustentado pela parte financeira”, mas, que pense que o clube tem de continuar e, “não é gastando as fichas todas num só ano, para depois acabar tudo”. Quem pegar no clube “que o faça com cabeça para não deitar a perder todo o trabalho desenvolvido”. No entanto, admite que não será fácil e espera que, quem vier, “traga uma lufada de ar fresco”, com o intuito de conseguir tirar o clube de uma estagnação que diz existir. “Nem as contas de 2019 estão aprovadas”, exemplifica, mostrando-se “cansado” e “triste” de ver situações como a falta de limpeza no pavilhão: “no jogo com o FC Porto foi eu que tive de limpar as mesas da comunicação social, porque tive vergonha do que vi. Não dá para o meu feitio. As pessoas acomodaram-se e não pode ser”.

Em relação ao plantel para a próxima época, espera que a próxima direção não descaracterize a equipa e “aproveite a formação, porque nós temos muita qualidade. Prova disso são as classificações que fizemos nestes dois anos, com um plantel  composto por 80% de jogadores da casa”. Para o dirigente, esta é a política correta, até porque diz ajudar “a envolver os adeptos e trazê-los ao pavilhão”, para lá de que os atletas da formação “passam a ter o objetivo de um dia poderem vir a jogar na equipa sénior”, referiu.

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