Opinião

Chefs...

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Quando convivemos diáriamente com as mesmas pessoas mais de quarenta anos, querer de algum modo homenagear todos esses anos, numa tentativa de os condensar numa simples folha de papel, afigura-se-nos tarefa complicada.
Quarenta anos...Puxa! É muita coisa! Vê-los crescer, construir famílias, ver os seus filhos nascerem, crescerem, irem para as universidades, formarem-se. O orgulho de cada um deles era o orgulho de todos nós, ficávamos felizes com os êxitos de todos. Do mesmo modo, sofriamos quando as coisas eram mais sombrias. E, acreditem, para além da alegria e felicidade que senti por ter por companheiros toda esta malta, também dias houve que sofremos com momentos mais negativos que nos aconteceram a todos. Mas como diz o povo, e com razão, “tristezas não pagam dívidas”.
Para quem me conhece, já adivinhou do que estou a escrever. Exato! Desses mesmo... todos os funcionários da piscina municipal, que ao longo destes anos procuraram sempre dar o melhor de si, para que os sanjoanenses tenham orgulho na sua piscina municipal. Estes funcionários, para além do brio profissional, da sua dedicação à causa, muitas vezes incompreendidos, com vencimentos muitas vezes comparados à esmola, nunca deixaram de se entregar de corpo e alma às suas profissões.
Falar destes meus companheiros e amigos muita tinta teria de gastar e corria o risco de muitas omissões. A verdade é que quando me ocorreu escrever esta crónica queria prestar a minha homenagem e a minha solidariedade a toda esta gente, de quem naturalmente tenho saudades. E dizer-vos o quanto para mim foram importantes, daí o meu enorme obrigada por também eu fazer parte da vossa história. Vocês são uns seres humanos extraordinários! Ao dar o título em epígrafe foi precisamente por me lembrar das inúmeras receitas que partilhávamos e que tantas vezes me inspiraram para os meus cozinhados.
Victor Cabral, uma enciclopédia em tudo que diz respeito à culinária, tudo pormenorizado... Muitas vezes lhe telefonei para que me aconselhasse o que fazer perante dificuldades com os tachos. O Pais, um poeta da culinária... Ouvir as descrições das refeições que ele preparava para a família durante os fins de semana, era poesia... O meu irmão Luís, sem ser tão expansivo, nas descrições dos pratos que fazia, era para mim rei do gourmet. O Augusto Macedo, sempre procurado para as confecções das sapateiras... O Adalberto, um indivíduo com um coração de ouro. Sempre pronto para servir os outros, por vezes demasiado. As tangerinas, as cerejas e outros frutos eram por conta dele. O Abel, aquele que ainda hoje põe o coração da piscina a funcionar... é da responsabilidade dele o tratamento da água e não só, pois também organizava os jantares em Arouca. O Rui Baeta, o nadador-salvador, uma filosofia de vida muito própria, uma enorme capacidade para o culto do corpo. Por ele sabíamos sempre onde se comia o melhor peixe, fosse em Espinho ou Esmoriz. Na secretaria, tinhamos a Emília, cozinha francesa... quando lhe pedia uma dica para um molho ela sempre me aconselhava bem. Por fim, o Paulo, o melhor garfo de todos nós...
Por tudo isto, nomeio-vos chefs, para vós todas as estrelas do mundo.
Continuarão sempre no meu coração.
Na música, um disco dos músicos portugueses Caixa de Pandora, “Teia de Seda”. Nos livros, “Como trabalhar para um idiota”, de Jonh Hoover.
Não facilitem!

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