Opinião

Alvorada - Umas eleições autárquicas interessantes

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A confirmação da candidatura de João Almeida às autárquicas deste ano, liderando a coligação PSD/CDS, finaliza um processo iniciado em 2009 pelo partido do qual é militante. Nesse ano, pouco conhecido na cidade, o ex-líder da juventude popular liderou a candidatura autárquica do CDS-PP. Não foi eleito. Em 2013, a opção do partido foi outra e o anterior candidato à Câmara Municipal passou a liderar a lista à Assembleia Municipal. Também não foi eleito. Nessas eleições o PSD, que apresentou o independente Ricardo Figueiredo, venceu conseguindo eleger três vereadores, ficando numa posição minoritária no executivo municipal pela eleição de igual número de vereadores pelo PS e mais um do movimento independente SJM Sempre.
A eleição intercalar de janeiro de 2016, com a coligação PSD / CDS, aproximou as duas forças políticas, que estavam em rutura desde o início da década de 1980, sendo João Almeida um dos rostos dessa conjugação de esforços, embora em posição pouco destacada, mas o seu envolvimento não passou despercebido, contribuindo para a reeleição de Ricardo Figueiredo, com maioria no executivo municipal. Um ano e meio depois, nas eleições autárquicas, novamente em coligação, o centrista surge em terceiro lugar da lista, surpreendendo a sua posição face às votações pouco expressivas do CDS em anteriores eleições. Apesar do seu posicionamento, não foi desta vez que o deputado eleito por Aveiro conseguiu tornar-se vereador.
Em 2021, é um militante centrista que liderará a coligação entre os dois partidos. Uma aposta das respetivas direções nacionais, aceite pelas estruturas locais.
Como em todas as eleições democráticas, não há vencedores antecipados, nem o seu contrário, derrotados decretados. A empatia gerada pelos candidatos é que poderá captar a atenção dos eleitores e claro, as ideias a apresentar e o seu programa eleitoral é que serão decisivos para o exercício do voto e a escolha de uma candidatura.
Pelos condicionalismos da fragmentação da direita portuguesa, com o consequente apagão do CDS, há muito interesse da comunicação social nacional em verificar qual o desempenho deste partido nas próximas eleições autárquicas. Não surpreendeu, face ao anúncio desta candidatura, que vários jornais nacionais lhe dessem destaque, o que confere um maior interesse ao sufrágio em São João da Madeira. De tal modo que no último sábado, o experiente diretor-adjunto do jornal Público, David Pontes, elogiou o ato de João Almeida, classificando-o de corajoso, nos destaques da semana política.
A mais que provável recandidatura de Jorge Sequeira, parte de uma posição confortável, pela maioria conquistada em 2017, pela oportunidade de resolver alguns dos assuntos herdados do executivo anterior e pela possibilidade de projetar, para um próximo mandato, o programa eleitoral que apresentou aos eleitores nas últimas eleições. As impossibilidades serão inevitavelmente consideradas como tal e esquecidas a seu tempo e a propósito.
Jorge Sequeira, depois de ter vencido um anterior deputado e vereador do PSD, terá desta vez um adversário mais mediático e com uma maior capacidade oratória. As qualidades de ambos serão importantes para a elevação do debate e para dignificarem a democracia, atendendo à exposição mediática que estas autárquicas estarão sujeitas. Haja vontade destes e de outros candidatos de outras forças políticas, ainda não anunciados, em seduzir os eleitores a exercer o seu direito ao voto.
As próximas autárquicas não se resumirão à apreciação da visibilidade ou à capacidade de retórica dos principais candidatos. Estará igualmente em causa a qualidade das propostas e a aptidão do programa eleitoral, fatores decisivos para cativar os eleitores.
O eleitorado local, de voto preferencial indefinido, como provaram os resultados das últimas eleições em 2017, em comparação com as intercalares, sairá como o grande vencedor do embate democrático que se avizinha.

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