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O Grupo Folclórico de Fajões perfaz 65 Anos

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Há dias, foi noticiado, algures, que As Ceifeiras de Fajões iam fazer 105 anos! ...

Não há dúvida que é o Rancho Folclórico mais antigo do Concelho de Oliveira de Azeméis, mas está ainda longe do centenário. Para evitar confusões e erros, aconselha--se a leitura do livro de S. Bastos de Oliveira, intitulado “As Ceifeiras de S. Martinho de Fajões/Historial e Projecção”, editado em Agosto de 2009.
Manda a história que se escreva e (diga sem rebuços) que o Grupo Folclórico As Ceifeiras de Fajões vai completar, na próxima sexta-feira, 26 de Março, 66 anos de existência, ao serviço da etnografia, do folclore, do cancioneiro, tradições e costumes do nosso Concelho e da Região.
O nascimento desta colectividade está ligado aos cortejos de oferendas, que, de 1954 a 1955, se realizaram, a pedido do pároco, Padre José António Martins de Pinho, para reparação da igreja e da residência paroquial de Fajões.
Para o efeito, a freguesia foi dividida em três áreas populacionais ou Zonas: Zona Norte (lugar de São Mamede, Couto, Gagim, Barbeito, Telhado e Cruz); Zona Centro (lugar do Cruzeiro, Areal, Lavandeira, Retorta) e Zona Sul (lugar de Paços, Souto da Costa, Casal da Marinha, Torre).
O primeiro cortejo foi o da Zona Norte, realizado no dia de Natal de 1954; o da Zona Centro, a 6 de Janeiro de 1955. Ambos exibiam vistosos carros alegóricos e, no percurso até ao adro da igreja, grupos de moças e rapazes “mimaram” os seus vizinhos com pilhérias que alegraram as gentes concentradas ao lado dos caminhos. No domingo 20 de Fevereiro de 1955, saiu à rua o cortejo de oferendas da Zona Sul, com um rancho de raparigas e rapazes do lugar de Paços, muito folgazão, denominado “Os Rapioqueiros” que responderam às provocações dos da Zona Centro com ditos chistosos e cantigas de escárnio não que causaram a boa disposição e o riso dos circunstantes.
O estrondoso êxito dos “Rapioqueiros” entusiasmou os responsáveis a fundarem um grupo “a sério” de folclore e os rapazes e raparigas do lugar de Paços começaram a ensaiar, no rés-do-chão da casa de habitação de Augusto Oliveira Tavares, no lugar do Candal. E aí, a 26 de Março de 1956, nasceu o Grupo Folclórico de Fajões, sendo seus fundadores Augusto Oliveira Tavares, Manuel Coelho dos Santos, Fernando da Silva Oliveira, ensaiador, e Manuel Correia de Pinho.
Os dois anos seguintes foram de consolidação do grupo e agregação de jovens de todos os lugares de Fajões para formação de pares de dançadores e cantadores e de pessoas adultas para apoiar os fundadores na incipiente gerência do agrupamento, tipo familiar. Entretanto, o rancho folclórico transpunha as fronteiras da sua freguesia e actuava em festas civis e religiosas, inaugurações eventos diversos das freguesias dos concelhos de Arouca, Castelo de Paiva, Vale de Cambra, Oliveira de Azeméis e Vila da Feira e o brilho das suas atuações foi conquistando valiosos contratos e público de outras regiões.
Em 1958, dois activos componentes do Grupo Folclórico, Belmiro José de Oliveira e Manuel Gomes Soares da Silva, responsáveis pelo governo de agrupamento já complicado, com assentimento de todos os elementos do Rancho, convidaram o professor Samuel de Bastos Oliveira para presidir a uma direção a formar. Depois de muita insistência, conseguiram o seu objetivo e, no referido ano de 1958, foi constituída a Primeira Direção do Grupo Folclórico de Fajões, da seguinte forma: Presidente: Samuel de Bastos Oliveira; Tesoureiro: Belmiro José de Oliveira; Secretários: Manuel Gomes Soares da Silva e Manuel Pinho Rocha; Vogais: Augusto Oliveira Tavares, Manuel Teixeira dos Santos, Manuel Coelho dos Santos, Joaquim Pinho Rocha, Sebastião Vaz de Pina, Elisa de Carvalho e Fernando Silva Oliveira.

Ar­tigo dis­po­nível, em versão in­te­gral, na edição nº 3836 de O Re­gi­onal, pu­bli­cada em 25 de março de 2021.

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