Sociedade

Pandemia aumentou casos de violência e negligência em crianças

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Meninos e meninas, com pouco mais de dois anos, agredidas, violadas, espancadas. Corpos pequeninos, rostos inocentes, com o terror estampado nos olhos. Quem disse, mesmo, que “as crianças são o melhor do mundo”?

A Luísa, como lhe vamos chamar, tem agora 26 anos. Com cinco foi retirada da casa onde vivia, porque era violada consecutivamente pelo pai. Hoje, já mulher, ainda traz no olhar as atrocidades de um pai alcoólico e a ineficácia de uma mãe que encobria o caso. O homem chegou a estar preso, a mulher, que tem problemas mentais, continua a beber e quase se esqueceu de quem é a Luísa, bem como dos restantes filhos, que chegaram a pedir “ajuda” aos vizinhos, para conseguirem alimentação.
Luísa não quer falar muito do seu passado. “Senti mesmo necessidade de sair de S. João da Madeira e, neste momento, a ligação que tenho são alguns amigos”, que acompanharam em “segredo” os seus “dias, dentro de uma família descompensada, e que me deixou marcas para a vida”, assumiu a ‘O Regional’.
Fonte do Ministério Publico, em declarações a ‘O Regional’ , deu conta de que, nos últimos meses, há um “grande aumento” de casos de crime de abuso sexual na cidade e na região envolvendo crianças. Refere ainda que o número de crimes sexuais que ocorrem na internet e que chegaram às mãos da Polícia Judiciária aumentou durante o ano passado, período que coincidiu com o primeiro confinamento e com um crescimento da utilliazação da internet.
Segundo apurámos, em 2020, a Diretoria do Norte da PJ registou 396 casos relacionados com este tipo de crime, enquanto no ano anterior tinha assinalado 161 casos. Entre os casos, estão crimes de pornografia de menores, aliciamento de crianças e vingança sexual.
Relativamente aos crimes sexuais online, em que as vítimas não são apenas crianças, os casos dispararam “sensivelmente para o dobro”, alertou recentemente o diretor da Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e à Criminalidade Tecnológica da PJ, que alertou também para a existência de “uma tendência de subida acentuada” e que “os casos de extorsão ou vingança sexual visam muitos adultos”.

Ar­tigo dis­po­nível, em versão in­te­gral, na edição nº 3835 de O Re­gi­onal, pu­bli­cada em 18 de março de 2021.

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