Opinião

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Algumas memórias industriais
1. A notícia foi transmitida por este jornal. O futuro dos edifícios históricos está definido. Há meses foi anunciado o acordo de cedência do “Palacete dos Condes” para a instalação de um hotel. Arrumado este dossier, projeta-se, segundo este jornal, a reconversão da Quinta do Rei da Farinha na futura Casa da Memória. Será executada no próximo mandato, ou pelo menos, haverá essa intenção por parte do atual executivo municipal.
2. A Memória será industrial. É uma parte importante da história da povoação. Não é de desprezar. Será mais fácil para recolher produtos, máquinas antigas, partes do processo tecnológico e depoimentos de antigos trabalhadores das várias indústrias que laboraram pelo século XX em São João da Madeira. Houve um pouco de tudo: indústrias icónicas, produzindo marcas de índole nacional, com produtos que ainda hoje são reconhecidos como pertencendo à identidade local. Uma diversidade de artigos e o desenvolvimento de técnicas, que projetaram a localidade no mundo industrial.
3. eDIÇÃOÉ necessário sair do binómio chapelaria – calçado. Procurar vestígios da indústria da cera, para além dos edifícios devolutos, enquadrando-se o seu processo e a sua importância na iluminação das casas portuguesas, através da chama do pavio sanjoanense. Não esquecendo o fabrico de lápis da Viarco, ainda bem presentes, quer pela existência de unidade produtiva, quer pelo mobiliário urbano espalhado pela cidade. Referir a importância das máquinas de costura Oliva nos lares de Portugal e desta importante indústria metalúrgica relembrar a produção de banheiras e de torneiras, com processos extremamente competitivos, surpreendendo por vezes, as melhores marcas europeias. O que acontecia também na Molaflex, indústria percussora na produção de colchões com molas metálicas, que diversificando os seus produtos, chegou à produção de componentes para a indústria automóvel. Infelizmente, esta empresa apesar de ainda laborar, deslocou-se para um concelho vizinho. Felizmente o fabrico de molas ainda persiste na cidade. Ainda neste capítulo, não pode deixar de haver uma referência às mochilas Monte Campo, icónicas nos anos 1980, junto de crianças e adolescentes, à semelhança de outra marca na atualidade. Uma última referência neste cacharolete de produtos industriais para a camisaria Califa, grande empregador local e dinamizador de marcas nacionais.

Ar­tigo dis­po­nível, em versão in­te­gral, na edição nº 3834 de O Re­gi­onal, pu­bli­cada em 11 de março de 2021.

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