Opinião

Lembrando um histórico do sindicalismo

• Favoritos: 27


No dia 14 de Março passa um ano da morte de Manuel Graça, histórico dirigente dos trabalhadores do calçado. A sua vida é um longo combate pela igualdade, contra o trabalho infantil e pelas 8 horas semanais de trabalho, sem perder de vista todos as causas da esquerda do seu tempo.
Manuel Graça nasceu em 1953, numa família operária da indústria vidreira. Perante as necessidades económicas e o despedimento do pai, começa a trabalhar aos 10 anos, numa fábrica de calçado. Aos 17 anos começa a participar no associativismo cultural, dedicando-se ao cinema e à poesia. Aí, faz leituras da oposição ao regime fascista, confraterniza com ativistas de esquerda e integra a organização trotsquista Liga Comunista Internacionalista, ainda clandestina. Na revolução, está a cumprir serviço militar na região de Lisboa. Integra o Movimento das Forças Armadas, com um papel junto do movimento associativo, experiência que marcou profundamente a sua posterior atividade sindical. E está ativo no movimento Soldados Unidos Vencerão, que exige democracia nos quartéis e apoia a intensa mobilização popular sob o verão quente. Em 1976, regressa à fábrica e, no final da década, integra a direção do Sindicato do Calçado do distrito de Aveiro, com sede em São João da Madeira, a (então) vila onde reside.
Dinamizada por Manuel Graça, a direção do sindicato distingue-se na denúncia do trabalho infantil no setor do calçado, expondo esta chaga social na imprensa nacional e estrangeira e enfrentando donos de empresas que se habitaram a impunemente despedir os pais e empregar os filhos e explorar o trabalho doméstico, incluindo o das crianças que deviam estar na escola e que eram obrigadas a produzir à peça para compensarem os salários que os pais tinham deixado de ganhar.

Ar­tigo dis­po­nível, em versão in­te­gral, na edição nº 3833 de O Re­gi­onal, pu­bli­cada em 4 de março de 2021.

27 Recomendações
65 visualizações
bookmark icon