Opinião

fotografias com HISTÓRIA com fotografias: O antigo lugar das Vendas – I

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A “viagem no tempo” em vários capítulos que vamos iniciar agora, leva-nos até aos primeiros anos do século XX.

Na sua origem, o lugar das Vendas e a Praça – enquanto espaço público urbano, que propicia a convivência, o lazer e as atividades comerciais – eram a mesma coisa. Com o aumento do aglomerado populacional, provocado pelo desenvolvimento industrial dos finais do século XIX, S. João da Madeira iniciou um processo de transformação e de desenvolvimento que fez com que o lugar das Vendas, onde havia de tudo para comprar e vender, deixasse de estar confinado à Praça. Tornou-se mais abrangente. A sua área, por essa altura, correspondia aproximadamente à mesma que é hoje ocupada pela chamada “zona pedonal”, se excluirmos a Rua da Liberdade que, então, não existia.
A “viagem no tempo” em vários capítulos que vos propomos iniciar agora, leva-nos até aos primeiros anos do século XX. José Inácio Ferreira – de quem falaremos mais tarde – deixou o seu estúdio de fotografia, que ficava no primeiro andar da pequena casa por detrás do fontenário que se vê na imagem, colocou o tripé no extremo sul da Praça, apontou a objetiva para norte e fez o cliché. No reverso da fotografia, amarelecida pelo peso dos seus 120 anos, conseguimos ler um pequeno apontamento: Praça 10 de Março de 1901.
Era domingo. Os frequentadores da loja do Serôdio, apercebendo-se das intenções do fotógrafo, saíram para ficar no retrato. Os familiares de José Inácio postaram-se à janela, imóveis como convinha, no que foram imitados pelos vizinhos, o ferrador Ti’ Quartel-Mestre, a mulher e o filho Albano. O motivo que terá levado o fotógrafo a registar o momento só pode ter sido o edifício que se vê à esquerda na imagem, construído de raiz para nele ser instalado um “grandioso” estabelecimento comercial, propriedade dos empresários locais Francisco José António da Silva e seu filho, Genuíno António José da Silva.

Ar­tigo dis­po­nível, em versão in­te­gral, na edição nº 3833 de O Re­gi­onal, pu­bli­cada em 4 de março de 2021.

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