Sociedade

Morreu Arménio Alberto ‘Adé’

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Tinha 78 anos. Era um dos mais conhecidos, polémicos e respeitados cronistas da imprensa local em S. João da Madeira. O também antigo futebolista do Sporting veio a jogar, mais tarde, na Associação Desportiva Sanjoanense e abraçou ainda a política.

Arménio Alberto Marques (1942-2021), popularmente conhecido como Adé, tornou-se figura carismática de S. João da Madeira, em grande parte devido aos artigos de opinião que, durante vários anos, escreveu no jornal ‘O Regional’. Faleceu na passada terça-feira, dia 23, aos 78 anos.
Adé nasceu em Porto Alexandre, Angola, e desde muito cedo que o seu nome se destacou no mundo do futebol. Extremo direito oriundo do Sporting Clube do Lubango, chegou a Portugal em Abril de 1966, aos 24 anos , e vinha já rotulado como um jogador muito rápido, capaz de fazer os 100 metros em 10,7 segundos.
Foi um dos vários jogadores lançados no Sporting Clube de Portugal pelo técnico espanhol, Fernando Argila, na temporada de 1966/67.
Fez seis jogos oficiais pela equipa principal do Sporting nas duas épocas em que representou o clube e acabou por ser mais tarde dispensado, prosseguindo a sua carreira na Sanjoanense, na cidade onde já residia. Ainda passou pelo Beira-Mar (Aveiro), antes de terminar o seu percurso desportivo nas divisões secundárias do futebol português.
Adé chegou à Associação Desportiva Sanjoanense no final da década de 60, integrando, como avançado, a formação que então disputava o Campeonato Nacional de futebol da primeira divisão.
O antigo futebolista do Sporting, apesar de ter envergado outros emblemas de concelhos vizinhos, tornou-se filho adotivo de S. João da Madeira, aqui fixando residência e intervindo na comunidade, tendo sido membro da Assembleia de Freguesia, eleito para o mandato autárquico 2005-2009.

“Homem destemido, corajoso que colocava o dedo na ferida”
Adé encontrava-se doente há algum tempo, esteve internado, e nos últimos tempos deixou de escrever semanalmente, como sempre habituou os leitores deste semanário. Apesar do seu estado debilitado, tentou acompanhar sempre os acontecimentos de uma cidade que dizia “amar”. O último artigo de opinião que escreveu para ´O Regional’ foi na última edição de janeiro deste ano. Quem o conhece descreve-o como um homem “destemido, corajoso que colocava o dedo na ferida”, todas as semanas, com os assuntos que escolhia para as suas crónicas. “Ele mexeu com muitos assuntos da terra, as suas crónicas incomodaram muitas pessoas, principalmente políticos”, referem amigos próximos.
José da Silva Pinho, ex-administrador de ‘O Regional’, descreve Adé como um dos cronistas mais antigos e dos “mais lidos no jornal”. Recorda que se tratou de um colaborador que foi sempre “muito apreciado, com algumas críticas, por vezes contundentes, como na verdade convém. Fazia parte dos elementos que emitem opinião publicada, onde nem sempre todos estão de acordo, principalmente aqueles que são atingidos pela crítica”, enfatiza. Adé, na opinião de José Pinho, foi sempre uma figura “muito válida, no jornal e na cidade”, e recordá-lo-á como alguém que era “fiável, homem que se interessava pelas coisas da terra”. Apesar de não ter nascido na cidade, “rapidamente se tornou um sanjoanense bairrista, que agarrou esta cidade como sua, criticando tudo aquilo que lhe parecia mal e elogiando aquilo que lhe parecia bem”.

“Morreu mais uma glória da sanjoanense”
Luís Vargas Cruz, presidente da Associação Desportiva Sanjoanense, soube da morte do também antigo funcionário da Sanjoanense por ‘O Regional’. “Infelizmente morreu mais uma glória da Sanjoanense. Uma pessoa afável, simpática, sorridente e amiga do amigo”. Vargas recordou o início das “três décadas” que Adé esteve na Sanjoanense no arranque dos anos 70. Adotou a Associação Desportiva Sanjoanense como “o seu clube do coração” bem como S. João da Madeira como a sua terra natal onde criou os seus laços de amizade que perduraram durante décadas.

“Atleta de qualidade superior”
António Pedro jogou na Sanjoanense com Adé, na década de 1970. “A minha ligação foi sempre muito profunda, pois jogámos juntos e mantivemos contacto pela vida fora”. Diz ter acompanhado a sua vida desportiva durante muitos anos. “Ele era um jogador muito rápido, pensava acima dos outros, um atleta de qualidade superior, muito astuto e inteligente”, assegurando mesmo que a sua carreira como desportista “marcou a sua passagem pelo desporto nacional e regional”.
A sua morte, na opinião do antigo jogador e também ex-presidente da Associação Desportiva Sanjoanense, deixará um “vazio muito difícil de preencher” uma vez que se tratava de alguém com uma grande “intelectualidade, bem demonstrada” nas crónicas que assinava no semanário ‘O Regional’

“Um dos cronistas mais mordazes e críticos”
Logo após ser conhecida a morte de Adé, começam a surgir as primeiras reações ao desaparecimento do antigo jogador e cronista. O escritor sanjoanense Tiago Moita destaca Adé como um dos cronistas “mais mordazes e críticos” de S. João da Madeira e um “fervoroso amante do concelho e cidade como ninguém”. Destaca também as suas “acutilantes e incisivas crónicas jornalísticas ‘Questões sobre a nossa cidade’”, que “insistia” em enumerar com recurso à numeração romana, relativamente aos assuntos da edilidade. “Desde factos políticos, desportivos, culturais e sociais, nada escapava ao seu olhar arguto e crítico, típico de um verdadeiro cronista”, lembra.

“Um dos cronistas mais mordazes e críticos”
Logo após ser conhecida a morte de Adé, começam a surgir as primeiras reações ao desaparecimento do antigo jogador e cronista. O escritor sanjoanense Tiago Moita destaca Adé como um dos cronistas “mais mordazes e críticos” de S. João da Madeira e um “fervoroso amante do concelho e cidade como ninguém”. Destaca também as suas “acutilantes e incisivas crónicas jornalísticas ‘Questões sobre a nossa cidade’”, que “insistia” em enumerar com recurso à numeração romana, relativamente aos assuntos da edilidade. “Desde factos políticos, desportivos, culturais e sociais, nada escapava ao seu olhar arguto e crítico, típico de um verdadeiro cronista”, lembra.

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