Opinião

Alvorada: Onde estacionar?

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A proliferação de parques de estacionamento, em torno do centro da cidade, tem inquietado muita gente.
À revindicação antiga dos comerciantes instalados em torno da Praça Luís Ribeiro, desde a transformação daquela área em zona pedonal, a Câmara Municipal de São João da Madeira tem procurado encontrar soluções para satisfazer as necessidades dos seus munícipes.
O ritmo de execução não foi o adequado e isso dificultou a vida de todos.
É bom recordar que a criação, na segunda metade da década de 80 do século passado, de uma vasta área livre de trânsito no centro da novel cidade, obrigou tantos os moradores, como os comerciantes ali instalados a uma adaptação, pelo afastamento dos automóveis das suas portas. Passado o efeito novidade da zona pedonal, verificando-se que proliferava a construção em outras artérias de fácil acesso pelo automóvel - com oferta de novos espaços comerciais – e sobretudo, com a instalação de hipermercados, com estacionamento gratuito, tornou-se penoso para os comerciantes continuarem abertos no centro. A debandada foi surgindo naturalmente e a construção de um parque de estacionamento no final da Rua Júlio Dinis chegou tarde. Ainda assim, ofereceu aos moradores hipótese de estacionamento gratuito e aos comerciantes a possibilidade de encostar os seus automóveis à porta do seu negócio, espalhando-se esta solução pelas demais ruas com estacionamento pago, ou mesmo, em plena zona pedonal. Mais tarde, a instalação de parques subterrâneos, tanto junto ao mercado municipal, como junto ao novo tribunal, apesar de aumentar a oferta de estacionamento, não aproximava os automóveis das lojas, sobretudo, porque quase em simultâneo abria o centro comercial Oitava Avenida, com estacionamento gratuito para todos, em dois pisos subterrâneos.
Para culminar e terminando a resenha, há cerca de cinco anos, o executivo liderado por Ricardo Figueiredo fez aprovar um projeto de reabilitação da zona central, que previa entre outras transformações, a criação de um parque de estacionamento entre as Ruas Júlio Dinis e Rua Padre Oliveira, ou seja, mais próximo da Praça e oferecendo parqueamento aos clientes dos CTT.
O executivo eleito em 2017 inverteu as prioridades e primeiro optou-se pela obra de fachada e para o próximo mandato autárquico está previsto a construção do mencionado estacionamento.
Por estes dias surge a notícia que o estacionamento pago vai ser estendido a mais ruas.
Ao mesmo tempo, com a devida vénia pela transparência, fica-se a saber que a concessão a privados tem sido prejudicial ao erário público.
O igualmente anunciado período temporário de gratuitidade, apesar de ser benéfico para alguns, transformará o comércio num moderno “drive thru”, em que os condutores na ânsia de pouparem farão incursões rápidas e dirigidas apenas a um comerciante, em lugar de planearam as compras para vários locais naquela zona da cidade.
Por estes três últimos parágrafos verifica-se existir muita confusão e por isso, é pertinente a pergunta do título deste texto de opinião. A resposta é que não é fácil.
Se as concessões de estacionamento dão prejuízo, era preferível que o dinheiro do erário público ajudasse o comércio local, bem como os serviços instalados.
Em primeiro lugar, facilitando o estacionamento gratuito aos seus trabalhadores, que procuram ruas periféricas, sem pagamento, nem comércio, nem serviços para aceder ao seu local de trabalho, ficando relativamente perto do automóvel, para se sentirem seguros, caso ocorra alguma emergência familiar, criando-se zonas livres perto das lojas.
Em segundo lugar, homogeneizando o preço por toda a cidade, obrigando as grandes superfícies instaladas na Avenida Renato Araújo a cobrar estacionamento (mesmo ao fim de semana), à semelhança do que se pratica nos centros de Vila Nova de Gaia e de Aveiro, que permite igualdade de tratamento a todos os comerciantes e por experiência própria, posso adiantar que esses parques estão sempre ocupados, para completos.
Finalmente, a gratuitidade aos clientes do comércio. Em lugar dos quinze minutos propostos, a apresentação da fatura é que devia efetuar o desconto. Havendo escalões para fazer corresponder o valor despendido ao desconto obtido. Exemplificando para o leitor entender melhor o ponto de vista: quem gasta vinte e cinco euros e demora meia hora numa loja e outro cliente que despende apenas de oitenta cêntimos em dez minutos, qual dos dois trará mais valor acrescentado aos comerciantes?
Em resumo, não discriminar os trabalhadores do comércio e dos serviços; deixar os lugares perto dos estabelecimentos livres para os clientes; promover a igualdade entre as zonas comerciais e a zona pedonal / central; e implementar um serviço pós pago, em função da fatura emitida pelo comerciante são as soluções que apresentei. Relativamente aos moradores, deve-se encontrar o mesmo tipo de solução, gratuitidade durante o dia, o mais perto de casa, sem incomodar o comércio de rua.
Posto em prática, julgo que o erário público sairia beneficiado.

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