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A “enorme” Sanjoanense, o “maluco” Balotelli e os “anos muito bons” no FC Porto

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Paulinho passou sete anos no FC Porto, jogou com Rúben Neves meses antes de este chegar à equipa principal, estreou-se pelos seniores da ADS, passou por Liverpool, Wolverhampton e República Checa e no início do passado regressou à Sanjoanense

Passou sete anos no FC Porto, jogou com Rúben Neves meses antes de este chegar à equipa principal, estreou-se pelos seniores da Sanjoanense pela mão de Pepa aos 16 anos, passou por Liverpool, Wolverhampton e República Checa e no início do ano passado regressou ao histórico clube de São João da Madeira. Em entrevista, o médio Paulinho passa em revista uma carreira ainda curta, mas já com boas histórias para contar, com nomes como Mario Balotelli, Jurgen Klopp, Philippe Coutinho e Pedro Gonçalves (Pote) como protagonistas.

Rui Coelho - O Paulinho leva 13 jogos e um golo na Série D do Campeonato de Portugal ao serviço da Sanjoanense na presente temporada, marcada pelas dificuldades criadas pela Covid-19. Como está a correr a época?
PAULINHO - Foi um início de temporada atípico, pois estivemos muitos meses sem jogar. Nos primeiros jogos isso sentiu-se, mas agora tem estado a correr bem. Sinto-me bem e a equipa também está bem, com apenas uma derrota até ao momento.
Como tem sido trabalhar com o mister Sérgio Machado?
Tem sido bom, foi o primeiro treinador que tive desde que regressei a Portugal, depois de quase cinco anos fora. Tenho jogado sempre e é isso que um jogador quer.

Perante uma Série D bastante competitiva e repleta de clubes vizinhos e rivais, quais são as expetativas e as ambições da Sanjoanense?
Sim, é talvez a série mais competitiva do Campeonato de Portugal, mas é disso que gostamos e é o que nos faz crescer enquanto jogadores e equipa. Todas as semanas defrontamos boas equipas. O nosso objetivo é andar nos cinco primeiros lugares, entramos em cada jogo para vencer.
A Sanjoanense é um clube histórico do futebol português, que já esteve na I Divisão. Qual é sentimento de representar este clube que tanto lhe diz?
É um clube enorme, com uma história muito grande e para mim é um orgulho vestir a camisola da Sanjoanense, sendo o clube da minha terra e onde o meu pai também jogou, por isso sinto-me feliz por representar o clube que gosto.

O Paulinho é um médio. Como se descreve como jogador?
Não gosto muito de falar sobre mim, mas sou um médio mais ofensivo, com bom passe e visão de jogo.

“Fui muito feliz e ganhei muita coisa no FC Porto”
Voltando atrás no tempo, o Paulinho esteve sete anos na formação do FC Porto. Qual o balanço dessa passagem pelos dragões?
Foram anos muito bons, estive sete anos no FC Porto, onde fui muito feliz e ganhei muita coisa. Aquilo que sou como jogador devo muito a esses anos.
Em 2013-14, quando jogava nos juvenis do FC Porto, o Paulinho teve companheiro de Rúben Neves, que meses depois deu o salto para a equipa principal. Ficou surpreendido com um salto tão grande numa altura em que ele tinha apenas 17 anos?
Claro que ninguém esperava a rapidez do salto dele, mas era uma coisa que ia acabar por acontecer, pois sempre teve muita qualidade.
Quais são as melhores memórias que guarda dos anos que passou no FC Porto?
Tenho muitas mesmo, ganhávamos muitos torneios, onde em alguns deles recebia o prémio de melhor jogador, o que era sempre um motivo de orgulho e felicidade.
No primeiro ano de sénior, na Sanjoanense, foi orientado por Pepa, agora no Paços de Ferreira. O que achou dos métodos e ideias dele? Alguma vez pensou que ele conseguiria atingir a I Liga?
O mister Pepa deu-me a oportunidade de me estrear nos seniores da Sanjoanense aos 16 anos, no Campeonato de Portugal. Tenho grandes memórias dessa época, em que aprendi muito. É um grande treinador, que mantinha sempre o grupo unido e motivado. Não me surpreende que esteja onde está e o sucesso que está a ter.

“Balotelli chutou a bola com toda a força para fora do centro de treinos e pensei: é mesmo maluco”
Depois dessa época positiva em São João da Madeira, surgiu o convite do Liverpool. Como surgiu a possibilidade de se mudar para um dos maiores clubes europeus?
Soube através de um diretor da Sanjoanense e fiquei muito feliz, como é normal, mas sempre tive os pés bem assentes na terra.

Como foi recebido no Liverpool e que pessoas mais o ajudaram no clube?
Não foi fácil. Saí de casa aos 17 anos para um país diferente, onde não conhecia ninguém. Felizmente conheci o Toni Gomes, que também lá jogava, e fizemos uma amizade muito forte que se mantém até hoje. Apoiámo-nos um ao outro nos momentos mais difíceis.

Qual foi o jogador da equipa principal do Liverpool que mais te impressionou?
Impressionaram-me vários. Tive o privilégio de treinar com o Philippe Coutinho e era sem dúvida aquele que sobressaía mais, é fantástico.

No Liverpool o Paulinho teve como companheiro de equipa Rafael Camacho, que agora foi emprestado pelo Sporting ao Rio Ave. Acha que ele devia ter mais oportunidades no Sporting?
Apesar de o “Rafa” ser mais novo do que eu, já dava para ver que tinha muita qualidade, mas o treinador do Sporting lá terá as suas razões.

Tem alguma história mais engraçada do tempo em que jogou no Liverpool que nos possa contar?
Lembro-me de uma no meu primeiro ano lá. A equipa de sub-23 treinou com os que não tinham sido convocados da equipa principal, entre eles o Mario Balotelli. Estávamos a fazer um exercício no treino e, quando o treinador apita para o fim, ele pegou numa bola e chutou-a com toda a força para o ar, tendo a bola saído do centro de treinos, o que dava uma multa de 200 libras. Lembro-me de ter pensado: este é mesmo maluco.

Um dos momentos mais altos em Inglaterra foi efetivamente, a chamada à equipa principal do Liverpool, orientada na altura já pelo atual treinador, Jürgen Klopp. O que nos pode confidenciar em relação a ele? Já levou alguma repreensão ou um dos famosos ‘calduços’?
Foi um momento de muito orgulho ver o meu nome na camisola do Liverpool, estar a partilhar o balneário com jogadores de top mundial e observar o que fazem. Klopp é um treinador muito exigente, os treinos eram sempre no máximo e é por isso que o Liverpool é uma grande equipa. Além de bons jogadores, têm muita intensidade.

“Eu e o Pote fomos campeões da Premier League sub-23. Ele tem muita qualidade”
Entretanto o Paulinho mudou de clube em Inglaterra, rumando ao Wolverhampton, onde encontrou um grande contingente português. Um dos jogadores com que partilhou o balneário foi o Pedro Gonçalves (Pote), atualmente ao serviço do Sporting. O que nos pode contar acerca dele?
Depois de três épocas em Liverpool, vou para o Wolves, onde pude privar e treinar com muitos portugueses. Eu e o Pote fizemos parte da equipa de sub-23 e fomos campeões da Premier League Sub-23. Ele tem muita qualidade e está a fazer uma grande época.

Ainda antes de regressar à Sanjoanense, passou pelo Pribram, equipa da I Liga da República Checa. O que o levou a aceitar o convite e quais foram as maiores dificuldades que enfrentou?
Depois de sair do Wolverhampton, o Pribram foi a equipa que achei que fosse boa para continuar a minha carreira, numa primeira liga, mas acabou por não o ser. Aconteceram muitas coisas que me levaram a voltar a Portugal, porque para estar fora do nosso país tem que valer a pena.

Agora numa fase mais estável da carreira, aos 23 anos, ainda pensa em voos mais altos?
Agora penso mais no presente e no agora. Sinto-me bem e feliz, e é isso que importa para mim, mas claro que tento sempre melhorar e evoluir. Depois o futuro dirá o que acontece.

Rui Coelho

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