Educação

Alumni: Ana Tavares estuda engenharia aeroespacial em Londres

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O jornal escolar PortAberta ouviu Ana Tavares (20 anos), ex aluna da escola João da Silva Correia que está no 2º ano de Engenharia Aeroespacial na Brunel University London.

Como decorrem as aulas? 
Temos palestras, seminários, aulas práticas e projetos. Este semestre, todos serão online. Usamos o Microsoft Teams para palestras e Blackboard Collaborative para seminários. Os professores têm feito um excelente trabalho em assegurar que a experiência de aprendizagem online seja muito idêntica à presencial.

Qual foi o maior impacto que sentiste enquanto estudante devido à COVID-19? 
A crise económica. A maioria das empresas está a reduzir a sua oferta de estágios/empregos, o que complica muito a vida dos recentes graduados e de estudantes que estejam à procura de experiências profissionais.

Sentes que os direitos dos alunos internacionais estão a ser salvaguardados no Reino Unido? 
Apesar de ser estudante estrangeira, venho de um país da UE e não sou considerada estudante internacional, mas sim Home/EU Student. Significa que os meus direitos são diferentes dos estudantes internacionais.
Contudo, pelo que sei por testemunhos de amigos, a maioria dos estudantes internacionais sente que os seus direitos estão a ser salvaguardados no Reino Unido. É notável o esforço por parte das Universidades em assegurar que estes consigam usufruir ao máximo da sua educação, independentemente do país onde estejam. Por exemplo, as universidades deram a escolha aos estudantes internacionais de fazerem todo o ano letivo online ou de regressar ao campus apenas em janeiro, iniciando o ano letivo mais tarde. No caso da minha Universidade, o facto de oferecer alojamento e comida para os estudantes que tivessem de fazer quarentena (caso chegassem ao campus nas primeiras semanas do semestre) foi também um alívio para muitos. Há sempre espaço para melhoria, mas, no geral, o governo e as universidades estão a fazer um bom trabalho.

Algo positivo que a tua universidade esteja a fazer (ou tenha feito) em relação ao COVID. 
Há muitas coisas positivas. A que mais se destaca será, provavelmente, o corte no preço do alojamento dos estudantes que viviam on-campus o ano passado, aliviando muitas famílias de mais um problema económico. E não posso deixar de mencionar a Sociedade de Engenharia Robótica que trabalhou arduamente nos primeiros meses da pandemia para fabricar e fornecer PPE a trabalhadores essenciais.
Sentes que esta situação terá impacto na tua aprendizagem ou futuro profissional?
Sem dúvida. A pandemia exigiu que todos nós nos adaptássemos ao trabalho remoto, algo que era impensável. Na minha opinião, a maioria das empresas irá prolongar e manter este formato de trabalho no futuro próximo. Com isso em mente, sinto-me extremamente grata por ter a oportunidade de me preparar para essas mudanças no mercado de trabalho através do ensino online. Saber estar e falar profissionalmente em frente a uma câmara e trabalhar remotamente são algumas das skills que irei adquirir ao longo deste ano letivo.

Qual é a parte mais difícil de estudar no estrangeiro durante a pandemia? 
Provavelmente, a incerteza que nos rodeia sobre a possibilidade de voltar a casa.

Alguma informação que achas que pode ter escapado/algo importante que não perguntamos? 
A pandemia afetou-nos a todos. Revelou e exacerbou as injustiças sociais e económicas existentes. Pela primeira vez, obrigou-nos a parar e a refletir sobre tudo o que nos rodeia, incluindo nós próprios. Tivemos de nos ajustar a um novo estilo de vida, mais solitário, menos afetuoso. Foram inúmeras as mudanças que a pandemia trouxe para cada um de nós, e várias as conquistas pessoais das quais devíamos estar orgulhosos. Contudo, gostava de deixar um especial agradecimento a todos os professores que tiveram (e têm) um papel extremamente importante e difícil de continuar a educar-nos de um modo para o qual não estavam minimamente preparados. A educação é um dos pilares mais importantes da nossa sociedade e, como tal, acho que o trabalho dos professores devia ser muito mais reconhecido e valorizado.

Mafalda Aguiar - 12.º ano 

 

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