Cultura e Lazer

É possível visitar os museus da cidade sem sair de casa 

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As visitas virtuais aos museus de S. João da Madeira já estão disponíveis.

Apesar do confinamento, desde a passada segunda-feira, dia 1, que é possível visitar o Museu da Chapelaria e o Museu do Calçado, em qualquer dia ou horário e estando-se em qualquer parte do mundo: basta aceder à internet.
As visitas virtuais aos museus da cidade já eram um objetivo da autarquia e o encerramento destes espaços culturais, devido ao contexto de pandemia, veio acentuar a importância da ferramenta.
“É um produto no qual temos vindo a trabalhar há algum tempo, que, nos tempos de hoje, assume uma importância absolutamente indiscutível”, apontou o Presidente da Câmara Municipal, Jorge Vultos Sequeira, que é responsável também pelo pelouro da cultura.
Sublinhando que os museus sanjoanenses são “âncoras” do Turismo Industrial, o autarca considerou que quando os museus “estão encerrados” ou “têm limitações à sua lotação”, as visitas virtuais assumem um papel “fundamental”. Por outro lado, “também é uma ferramenta que visa alargar a presença dos museus no mundo”.
Trata-se de um trabalho que “envolve imensos recursos do município, conjugado com um prestador de serviços”, designadamente uma empresa também responsável pela visita virtual ao Museu dos Coches (Lisboa) e que também prepara a visita virtual do Jardim Botânico do Porto, segundo adiantou o autarca.
A câmara investiu cerca de 2.500€, de pagamento à empresa, havendo agora um “custo de manutenção” para o município, conforme indicou Sequeira, esclarecendo que “o custo global é a soma dessa prestação de serviços com o valor do tempo e recursos investidos pelo município”.
Para Joana Galhano, diretora dos museus, a existência destes “no mundo virtual é cada vez mais essencial”, para maior “divulgação das suas instituições” e para promover “a acessibilidade cultural”.
A responsável deixou claro que a visita virtual não pretende substituir a visita presencial, “mas vem servir como um complemento a esta visita e como um meio de preparação prévia” para a “experiência in loco”, indicou a diretora dos museus.
“Não são visitas fechadas”, até porque “podem acontecer de diversas formas”, servindo para “potencializar o museu, divulgar as suas exposições, divulgar os conteúdos que produz diariamente”, de forma “dinâmica” e “interativa”, tal como concretizou a responsável.
Em conferência de imprensa, realizada também ela de forma virtual, Joana Galhano conduziu uma visita a cada um dos museus, mostrando a possibilidade de fazer a visita “por maquete, por pisos ou em 3D”.
No Museu da Chapelaria, é possível uma experiência auditiva, através da sonoridade industrial, sendo aqui possível seguir a cadeia operatória do fabrico do chapéu de feltro.
Além da possibilidade de seguir um percurso pré-definido, em que o visitante é espectador, podendo a qualquer momento selecionar mais informação, é possível escolher, desde logo, onde se quer ir primeiro e o que se quer ver: há textos informativos, fotografias antigas, vídeos, testemunhos e outros documentos históricos que vão surgindo consoante as opções do visitante. As informações incluídas nesta experiência digital surgem de contributos cedidos aos museus e de todo o seu espólio.
Na sala de exposições temporárias está “Luísa Reis Cabral: uma mulher à frente do seu tempo”, e pretende-se que as exposições se vão substituindo no virtual, tal como acontece no local.

O Museu do Calçado também tem uma “visita lógica”, por núcleos.

Os elementos multimédia disponíveis podem ampliados e diminuídos, e a visita pode ser partilhada e recomendada, através de ligações às redes sociais.
“Não se pretende que os museus sejam uma mera exposição de peças, mas que, através dos seus atores, possam contar histórias, e queremos que a visita virtual o possa também fazer”, sublinhou Joana Galhano.
A responsável acrescentou que se pretende continuar “com ações de investigação, acrescentando sempre novas informações, fazendo com que as visitas virtuais possam ser sempre um complemento à visita tradicional”.
Neste momento, a plataforma tem apenas conteúdos em língua portuguesa, mas já se está a trabalhar numa versão em inglês, para ser “verdadeiramente abrangente”.
Para Jorge Vultos Sequeira, a nova ferramenta virtual integra uma “ampla iniciativa de digitalização dos serviços do município”, sublinhando que tem havido uma “revolução digital”, com a criação de uma app, e com renovação ou criação de sites (Casa da Criatividade, Oliva Creative Factory, Centro de Arte), incluindo a página do próprio município e a criação do portal da transparência.
Aumentar as visitas presenciais, “porque quem vir o museu virtual, há-de ficar muito interessado em visitar os museus presencialmente”, e promover o território, levando as pessoas a pesquisarem mais sobre a cidade e visitarem-na, são as ambições do município com a nova ferramenta.
Recorde-se que, em 2020, os museus tiveram quebras de 70% no número de visitantes, devido à pandemia e ao encerramento daqueles espaços.

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