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Videochamadas salvam Natal em família

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Num ano difícil e diferente, muitos sanjoanenses optaram por restringir os encontros ao núcleo de contactos diários e recorreram às novas tecnologias

Foi um Natal diferente, disso ninguém tem dúvidas. Com menos abraços, com menos gente à mesa, uns de máscara e com cuidados redobrados. Há mesmo quem tenha preferido ficar sozinho por casa, sem receber ninguém, e outros que recorreram às novas tecnologias para restringir uma distância que a pandemia impôs, sem pedir licença a ninguém.
Habituada a passar esta época festiva com a família em S. João da Madeira, Dulce Pinho programou um Natal diferente para 2020. “Todos os anos por esta altura lá viajo eu dos Açores rumo à minha cidade com uma enorme alegria de abraçar toda a família e viver com intensidade a festividade”. Mas este ano tudo foi diferente. “Veio a minha mãe passar o Natal comigo”. Apesar de não esconder a felicidade de receber a progenitora, refere que lhe faltou “os abraços do resto da família, a alegria da época e do reencontro”.
Para se deslocar até S. João da Madeira, Dulce teria de antecipar a viagem, “pelo menos, uns oito dias mais cedo, pois chegando aos Açores teria de esperar seis dias em casa até fazer novo teste à covid-19 e voltar, então, ao trabalho após resultado negativo”, uma situação que no seu caso seria “impossível”, uma vez que tem apenas cinco dias de férias.
O brilho e a magia do Natal desta família “não foi, nem de perto nem de longe, o mesmo” de outros anos. “É impossível não pensar na pandemia que nos continua a afetar a todos”.
A preparação dos alimentos ficou na sua maior parte nas mãos da mãe. “Ela tem o seu toque especial nas iguarias que faz”, assume Dulce, que não quer perder “o gosto e sabor” que a acompanharam sempre. A ementa desta família é a mesma de todos os anos, embora em menor quantidade: Bacalhau, batatas e a couve para o jantar. Quanto aos doces, muitas “iguarias algarvias”, aletria, rabanadas e sonhos, queijos, o vinho do Porto e o champanhe. Tudo em menor quantidade.
A consoada de Natal teve uma companhia nova este ano. A plataforma Skype. Foi a solução que esta família encontrou para apaziguar o distanciamento, do irmão, cunhada, sobrinha e de muitos amigos. O computador foi usado para o brinde, mas também para falarem durante o jantar. Um outro momento marcado este ano nesta família foi a ausência de prendas junto da árvore, pois por lá só se viam “meia dúzia de prendinhas”.

Um Natal diferente para a família Aguiar

Em vez de juntarem os dois lados da família, os ‘Aguiares’ decidiram festejar esta quadra de forma separada. Na noite de consoada, foram seis as pessoas que se sentaram à mesa: avós, pais e dois filhos deste casal sanjoanense.
“A pandemia não nos retirou vontade de festejar o Natal, mas colocou-nos mais cautelosos. Quisemos primeiro assegurar que os avós se sentiam confortáveis em passar o Natal connosco. Desejávamos respeitar todas as suas vontades. Da parte deles tivemos a sua confiança”. Apesar de ambos serem profissionais de saúde, isso permite também aos convidados “uma certa confiança e tranquilidade” quanto à segurança numa noite em que a família se reúne.
Hélder Aguiar explicou a ‘O Regional’ que o casal pensou num conjunto de medidas para minimizar ao máximo o risco. “Em primeiro lugar, nos 15 dias que antecederam o Natal, limitámos os contactos ao estritamente necessário”.  No próprio dia, a família teve atenção em diminuir o tempo de contacto entre todos, indo apenas à hora da consoada, em vez de ao início da tarde, como era habitual nos anos anteriores. “Optámos ainda por assegurar o arejamento do espaço, deixando uma das janelas um pouco aberta para haver circulação e renovação do ar”.
Uma outra medida, já habitual nesta família, “foi o uso de máscaras, mesmo as crianças, só as retirando para a refeição e pelo menor tempo possível. O momento da refeição é o mais crítico, porque é aquele em que obrigatoriamente se está sem máscara, pelo que decidimos por cada núcleo familiar jantar desfasadamente”.
Relativamente aos pratos e iguarias, a tradição foi mantida. O prato principal foi o bacalhau acompanhado de batatas cozidas e couve. “Temos castanhas como sobremesa e, para a ceia, várias frutas e, claro está, como dia especial e festivo que é, os doces que habitualmente não constam da dieta, como bolo-rei, pão-de-ló, leite creme ou bilharacos”. A troca de presentes este ano foi antecipada, “não se aguardando pela meia-noite, diminuindo assim o período de contacto entre todos”.
Como médicos, aquilo que têm sentido é que a maioria das pessoas planeou um Natal com adaptações. “Muitas pessoas reduziram o número de elementos e criaram condições que permitiram minimizar o risco”, como o arejamento dos locais, escolha de locais amplos e disposição às mesas com afastamento físico. Hélder Aguiar assegura que todas estas medidas são sempre muito importantes, uma vez que S. João da Madeira “continua a ser um concelho de risco elevado, ou seja, o vírus anda aí a circular na comunidade. É capaz de se transmitir até dois dias antes de dar sintomas, se é que dá, e depois origina um espectro alargado de manifestações clínicas, desde o totalmente assintomático até à doença grave e fatal. É por isso que não se pode facilitar”, enfatizou.

Natal com sentido de responsabilidade

Arménia Santos, 50 anos, assegura que o Natal em sua casa “foi com sentido de responsabilidade”. “Mantivemos o mesmo número de pessoas, mas, obviamente, que sentimos a necessidade de ter em atenção um maior distanciamento, principalmente nos lugares à mesa”. Na casa desta família foi necessário colocar mais uma mesa, onde ficaram três pessoas da mesma casa. “Tivemos ainda em atenção que, em períodos de maior sociabilização, usámos a máscara”.
Em relação à ceia, esta técnica de análises clínicas assegurou que a tradição foi mantida e não faltaram os pratos típicos da época e da região. “O bacalhau, acompanhado da batata e da penca, é sempre obrigatório”. Na parte da doçaria, faltaram as rabanadas, os bilharacos, a aletria, leite-creme, o bolo rei e outras iguarias “obrigatórias numa mesa de Natal”. Mas, apesar de não ter existido muitas alterações no Natal desta família sanjoanense, o sentimento de adaptação a esta pandemia e a  todas as alterações que tem provocado e diz acreditar que “será mais um vírus, como tantos outros, que veio para ficar, e para o qual nosso organismo há-de encontrar imunidade. Para já, está aí a vacina, e há que ter esperança em relação ao futuro”, refere Arménia.

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